15 fevereiro, 2011
"Water Mills" de Akira Kurosawa
Water Mills é o último conto de Dreams, um conjunto de contos por Akira Kurosawa.
A história trata-se de uma personagem do nosso tempo que caminha com mochila às costas e chega a uma aldeia tranquila, bonita, ecológica e situada fora de geografia conhecida. Aqui, o viajante encontra um velho habitante da aldeia, um ancião de 103 anos com quem tem uma conversa sobre a sociedade, a vida, etc.
Um lindo conto e uma bela conversa...
Aqui ficam alguns excertos da conversa:
Viajante- Bom dia!
Ancião- Bom dia!
V- Qual é o nome desta aldeia?
A- Não tem. Somente a chamamos de "A Aldeia"...
(...)
V- Não há electricidade aqui?
A- Não é necessário. As pessoas ficam muito habituadas à comodidade. Acreditam que a comodidade é melhor. Desprezam o que realmente é bom.
V- E o que acontece com a iluminação?
A- Temos velas e lanternas de azeite.
V- Mas as noites são muito escuras.
A- Sim. Suponho que esta noite também será. Porque é que a noite deve brilhar como o dia? Eu não gosto das noites tão brilhantes, não se pode ver as estrelas.
V- Têm terrenos mas não têm tractores para cultivá-los?
A- Não necessitamos. Temos vacas e cavalos.
V- O que usam como combustível?
A- Principalmente lenha. Não nos sentimos bem quando destruímos árvores mas... temos suficiente para nós com as que caem. Cortamos e logo as usamos para lenha. E se fizer carvão vegetal da madeira, umas poucas árvores podem dar tanto calor como todo um bosque. Sim, e os excrementos de vaca são um bom combustível também. Tentamos viver como o Homem de antigamente. É uma maneira natural de viver. As pessoas de hoje esqueceram-se que na realidade elas são somente parte da natureza. Por isso destroem a natureza, da qual dependem as nossas vidas. Pensam sempre que podem fazer algo melhor. Especialmente os cientistas. Parecem inteligentes, mas a maioria não compreende o coração da natureza. Só inventam coisas que no final tornam as pessoas infelizes. E ainda se sentem orgulhosos das suas invenções. E, o que é pior, é que a maioria das pessoas também se sente orgulhosa. Olham para nós como se fossemos um milagre. Adoram-nos. Não sabem, mas estão a acabar com a natureza. Não vêem que vão morrer. As coisas mais importantes para os humanos são o ar impo, a água limpa, as árvores e a erva que estes produzem. Tudo está a ficar sujo, poluído para sempre. Ar sujo, água suja e corações do Homem também sujos.
(...)
V- Estão a celebrar algo hoje?
A- Não, é um funeral. Acha estranho? Está bem, um funeral alegre. É bom, trabalhou duro, viveu muito e agora o agradece. Não temos templos nem capelas aqui. Por isso, todos da aldeia levam o defunto até o cemitério da colina. Não gostamos quando um dos jovens ou meninos morrem. É duro celebrar tal perda. Mas, felizmente as pessoas desta aldeia abandonam a vida de uma forma natural. E tal costuma acontecer numa idade muito avançada.
(...)
Podem ver o conto completo aqui: Parte 1, Parte 2
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2 comentários:
Como conheço este sonho...é lindíssimo. E o cenário com os moinhos de água é mesmo ídilico! Então aquele funeral...devia ser sempre assim!
Meu sonho preferido!
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