Se me contemplo,
tantas me vejo,
que não entendo
quem sou, no tempo
do pensamento.
Vou desprendendo
elos que tenho,
alças, enredos...
E é tudo imenso...
Formas, desenho
que tive, e esqueço!
Falas, desejo
e movimento
- a que tremendo,
vago segredo
ides, sem tempo?!
Sombras conheço:
não lhes ordeno.
Como precedo
meu sonho inteiro,
e após me perco,
sem mais governo?!
"Mar Absoluto e Outros Poemas"
Cecília Meireles
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