Já aqui anteriormente havia falado da singularidade do trabalho do guitarrista dos Radiohead no que respeita à musica para cinema. O seu mais recente trabalho nesta área é a banda sonora do filme Norwegian Wood, dirigido por Anh Hung Tran, é pois uma adaptação do livro de Haruki Murakami com o mesmo nome. Uma vez mais, Greenwood dispõe maioritariamente de uma orquestra de cordas, desta feita a BBC Concert Orchestra, para conceber o universo musical do filme. A sua estética musical é muito personalizada diria até...quase invejável! Consegue criar texturas sonoras com a orquestra deixando mais ou menos claro que a proveniência dessas ideias está no seu instrumento e que depois há um excelente trabalho de orquestração, é essa a sensação com que fico ao escutar alguns dos temas do disco. Ignorar este trabalho é desaconselhável!
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02 junho, 2011
22 maio, 2011
La Belle Verte
(...)
- Florence, sou um tolo!
- Como assim?
- Um cretino, um imbecil, que não entendeu nada, não vive.
- Sim, sem dúvida...
- Sim o quê?
- Cretino, imbecil, que não vive...
- Verdade? Porque ainda estás comigo?
- Pela tua conta bancária. Prostituição legal.
- Não brinques... sério?
- Sim, eu também não vivo...
08 maio, 2011
Encontro com homens notáveis
Nada me convence também.
Ciência, prova uma coisa. Religião, outra.
E ambas parecem igualmente verdadeiras. E então?
Li todo o tipo de livro. Novo, velho.
Eu vi maravilhas que não posso explicar.
No entanto, estou mais sedento do que nunca...
Gurdjieff
(excerto retirado do filme "Meetings with remarkable men")
06 abril, 2011
26 março, 2011
Man on Wire
Realizado por James Marsh, Man on Wire é o documentário que relata a proeza do francês Philippe Petit ao andar durante uma hora sobre um cabo de aço suspenso entre as duas torres do World Trade Center. O plano desta odisseia é exposto através de várias entrevistas completas e profundas aos cúmplices deste feito. Há um "quê" de loucura infantil neste personagem e na forma de como vivia a vida no limite. As imagens apresentadas e as reconstituições feitas são de uma beleza contagiante!
Quando os americanos lhe perguntaram o porquê de tudo isto ele respondeu: "Não há um porquê...apenas sentir o espaço, preencher os vazios, desafiar as leis estabelecidas pela sociedade e definir-me a a partir das minhas acçoes"...
26 fevereiro, 2011
A maratona de "Sátántangó" !
"Sátántangó" é um épico de 7 horas e meia revelador do imenso talento do cineasta húngaro Béla Tarr, recentemente premiado na Berlinale 2011.
O filme centra-se numa pequena comunidade que vive numa vila húngara depois da queda do comunismo. O regresso de Irimias, um elemento da comunidade que todos acreditavam estar morto, vai trazer o desespero e confusão aos habitantes da vila.
É um filme meditativo, melancólico, minimalista, com uma paisagem "morta" e rural. Nele encontramos planos longos, muitos longos...e pausados, mas a forma como Tarr move a câmera é genial. Filmado a preto e branco ( como sempre o faz ) a fotografia é outra mais valia do filme.
O cinema poético e contemplativo de Tarr comunga do naturalismo e existencialismo do cinema de Tarkovsky.
O cinema poético e contemplativo de Tarr comunga do naturalismo e existencialismo do cinema de Tarkovsky.
"Damnation" (1987); "Werckmeister Harmonies" (2000) e "The Man From London" (2007) são outros filmes na mesma linha de cinema a que o húngaro nos habituou.
21 fevereiro, 2011
Pinocchio
Parece que vem aí uma animação 3D stop-motion do nosso conhecido Pinóquio...
A animação será produzida por Guillermo del Toro (só poderá sair coisa boa) em conjunto com a Jim Henson Company (responsável pelos Muppets). A realização ficará ao cargo de Gris Grimly e Mark Gustafson, argumento de del Toro e Matthew Robbins e na parte musical, o músico Nick Cave.
Notícia e imagens aqui: link
A animação será produzida por Guillermo del Toro (só poderá sair coisa boa) em conjunto com a Jim Henson Company (responsável pelos Muppets). A realização ficará ao cargo de Gris Grimly e Mark Gustafson, argumento de del Toro e Matthew Robbins e na parte musical, o músico Nick Cave.
No entanto, a animação não será direccionada para crianças:
“There has to be darkness in any fairy tale or children’s narrative work, something the Brothers Grimm, Hans Christian Anderson and Walt Disney understood. We tend to call something Disney-fied, but a lot of people forget how powerfully disturbing the best animated Disney movies are, including those kids being turned into donkeys in Pinocchio. What we’re trying to do is present a Pinocchio that is more faithful to the take that Collodi wrote. That is more surreal and slightly darker than what we’ve seen before.”
Guillermo del ToroNotícia e imagens aqui: link
20 fevereiro, 2011
Premiados no Festival de Berlim 2011
"Nader et Simin, Une Séparation" de Asghar Farhadi (Irão)
Urso de Prata - Grande Prémio do Júri
“A Torinói Ló” de Béla Tarr (Hungria)
Urso de Prata de Melhor Realizador
Ulrich Kohler por “Schlafkrankheit” (Alemanha)
Urso de Prata de Melhor Actriz
Leila Hatami e Sarina Farhadi por "Nader et Simin, Une Séparation"
Urso de Prata de Melhor Actor
Peyman Moadi, Shahab Hosseini e Sareh Bayat por "Nader et Simin, Une Séparation"
Urso de Prata de Melhor Contribuição Artística
Woyciek Staron eBárbara Enríquez por "El Premio" de Paula Markovitch (Argentina)
Urso de Prata de Melhor Argumento
"The Forgiveness Of Blood" (EUA)
Prémio Alfred Bauer - Filme Mais Inovador
"If Not Us, Who" de Andres Veiel (Alemanha)
Prémio de Melhor Primeiro Filme
"On the Ice" de Andrew Okpeaha MacLean (EUA)
Urso de Ouro de Melhor Curta-Metragem
"Night Fishing" de Park Chan-wook e Park Chan-kyong (Coreia do Sul)
Para mais informações sobre a Berlinale espreitar aqui.
15 fevereiro, 2011
Guy Maddin
Guy Maddin é um realizador canadiano particularmente singular na sua forma de fazer cinema.
É apreciado sobretudo pela sua recriação original da estéctica do cinema mudo e do primeiro cinema sonoro. Há quem o chame de David Lynch canadiano pelo carácter experimental e surrealista dos seus filmes. Vi recentemente dois dos seus emblemáticos filmes, "My Winnipeg" (2007) e "Brand upon the Brain" (2006), este último com uma banda sonora genial! Para quem não conhece fica a sugestão...
"Water Mills" de Akira Kurosawa
Water Mills é o último conto de Dreams, um conjunto de contos por Akira Kurosawa.
A história trata-se de uma personagem do nosso tempo que caminha com mochila às costas e chega a uma aldeia tranquila, bonita, ecológica e situada fora de geografia conhecida. Aqui, o viajante encontra um velho habitante da aldeia, um ancião de 103 anos com quem tem uma conversa sobre a sociedade, a vida, etc.
Um lindo conto e uma bela conversa...
Aqui ficam alguns excertos da conversa:
Viajante- Bom dia!
Ancião- Bom dia!
V- Qual é o nome desta aldeia?
A- Não tem. Somente a chamamos de "A Aldeia"...
(...)
V- Não há electricidade aqui?
A- Não é necessário. As pessoas ficam muito habituadas à comodidade. Acreditam que a comodidade é melhor. Desprezam o que realmente é bom.
V- E o que acontece com a iluminação?
A- Temos velas e lanternas de azeite.
V- Mas as noites são muito escuras.
A- Sim. Suponho que esta noite também será. Porque é que a noite deve brilhar como o dia? Eu não gosto das noites tão brilhantes, não se pode ver as estrelas.
V- Têm terrenos mas não têm tractores para cultivá-los?
A- Não necessitamos. Temos vacas e cavalos.
V- O que usam como combustível?
A- Principalmente lenha. Não nos sentimos bem quando destruímos árvores mas... temos suficiente para nós com as que caem. Cortamos e logo as usamos para lenha. E se fizer carvão vegetal da madeira, umas poucas árvores podem dar tanto calor como todo um bosque. Sim, e os excrementos de vaca são um bom combustível também. Tentamos viver como o Homem de antigamente. É uma maneira natural de viver. As pessoas de hoje esqueceram-se que na realidade elas são somente parte da natureza. Por isso destroem a natureza, da qual dependem as nossas vidas. Pensam sempre que podem fazer algo melhor. Especialmente os cientistas. Parecem inteligentes, mas a maioria não compreende o coração da natureza. Só inventam coisas que no final tornam as pessoas infelizes. E ainda se sentem orgulhosos das suas invenções. E, o que é pior, é que a maioria das pessoas também se sente orgulhosa. Olham para nós como se fossemos um milagre. Adoram-nos. Não sabem, mas estão a acabar com a natureza. Não vêem que vão morrer. As coisas mais importantes para os humanos são o ar impo, a água limpa, as árvores e a erva que estes produzem. Tudo está a ficar sujo, poluído para sempre. Ar sujo, água suja e corações do Homem também sujos.
(...)
V- Estão a celebrar algo hoje?
A- Não, é um funeral. Acha estranho? Está bem, um funeral alegre. É bom, trabalhou duro, viveu muito e agora o agradece. Não temos templos nem capelas aqui. Por isso, todos da aldeia levam o defunto até o cemitério da colina. Não gostamos quando um dos jovens ou meninos morrem. É duro celebrar tal perda. Mas, felizmente as pessoas desta aldeia abandonam a vida de uma forma natural. E tal costuma acontecer numa idade muito avançada.
(...)
Podem ver o conto completo aqui: Parte 1, Parte 2
12 fevereiro, 2011
Tarkovsky e a arte
Andrei Tarkovsky, um realizador russo que admiro, tanto em cinema como em filosofia de vida e que para muitos, é dos realizadores mais interessantes de sempre (prova disso, são alguns dos comentários destes dois vídeos). Dois pequenos excertos de uma entrevista ao realizador sobre a sua relação com a arte.
06 fevereiro, 2011
Peter Greenaway no Docsbarcelona
Termina hoje o Docsbarcelona - International Documentary Film Festival.
Ontem tive a oportunidade de assistir a quatro documentários (Windows, 26 Bathrooms, Death in Sein e The European Showerbath ) de Peter Greeenaway apresentados pelo próprio com grande sentido de humor.
P. Greenaway tem-se dedicado ao cinema explorando uma grande variedade de estilos. Já dirigiu 12 longas-metragens e mais de 50 curtas-metragens e documentários, trabalhos regularmente nomeados em vários Festivais Internacionais. Também já publicou livros e colaborou com conceituados compositores.
Toda a programação do festival pode ser vista aqui.
02 fevereiro, 2011
hoje li
"... Because, as we enter into a new age, maybe art will be free. Maybe the students are right. They should be able to download music and movies. I´m going to be shot for saying this. But who said art has to cost money? And therefore, who says artists have to make money?"
Francis Ford Coppola
Entrevista aqui: link
27 janeiro, 2011
A música de Toru Takemitsu no cinema Japonês
Toru Takemitsu (1930-1996) é um dos grandes compositores Japonês que muito contribuiu para a música no cinema do seu país. É notável a influência de Weber e Stravinsky nas suas composições, bem como a da músical tradicional japonesa. Obteve reconhecimento internacional quando na década de 60 deu uma série de conferências com o compositor Jonh Cage. As suas bandas sonoras fazem parte do cinema de Nagisha Oshima ("Real of Passion"); Akira Kurosawa ("Ran" e "Dodeskaden"); Shohei Imamura ( "Black Rain" ) , entre outros...
A sua música conjuga estranheza e beleza, assenta em texturas tímbricas e harmónicas atractivas, por vezes hipnotizantes, a partir de padrões rítmicos complexos. A utilização de instrumentos exóticos fazem parte da riqueza tímbrica das suas composições. O cd " The film music of Toru Takemitsu " é prova disso mesmo.
17 janeiro, 2011
09 dezembro, 2010
"Le retour" - Henri Cartier-Bresson
Bresson dispensa apresentações no mundo da fotografia. Foi um dos fundadores da agência Magnum juntamente com Robert Capa, David Seymour e George Rodger. É considerado o pai do fotojornalismo. Fotografou personalidades como Picasso, Henri Matisse, Marie Curie, Édith Piaf entre muitas outras...
Tive a oportunidade de recentemente ver o seu trabalho no cinema documental, através de uma edição da mk2. Aí encontramos diversos documentários realizados por Bresson entre os anos 30 e 70. " Victória de la vida " (1937) , " Espanha vivirá " (1938) , ambos os documentários sobre a guerra civil espanhola, " Le Retour " (1945), " Califórnia Impressions " (1970) e " Southern Exposures (1971). " Le Retour " toca-me particularmente pela crueza e simultaneamente beleza das imagens que Bresson nos oferece. É um documentário sobre o regresso de milhões ( os números estão lá) de prisioneiros da Alemanha aos seus respectivos países. São sequências fortes, intensas, às vezes difíceis de suportar... um largo e penoso percurso de regresso a casa, no entanto, milhares de homens houve que não regressaram!
30 novembro, 2010
"A Maior Flor do Mundo"
Enquanto "José e Pilar" se encontra em exibição pelo cinema e já que nos encontramos num ambiente de divulgação sobre José Saramago, aproveito para partilhar uma Curta-metragem de animação do único conto infantil de José Saramago, "A Maior Flor do Mundo".
Realizado pelo galego Juan Pablo Etcheverry, narrado pelo próprio José Saramago e com banda sonora de Emilio Aragón, esta Curta recebeu o Prémio de Melhor Animação do Anchorage Internacional Film Festival de Alaska, o Prémio Amigos da Música de Badalona para Melhor Música Original e em 2008 foi nomeada para o Prémio Melhor Curta-metragem de Animação nos Goya.
Teve também um grande êxito nos Festivais Mestre Mateo, Tokyo Global Environmental Film Festival e Festival Internacional de Cine Ecológico e Natureza de Canarias.
Desfrutem...
26 novembro, 2010
Jonny Greenwood - There Will Be Blood
Venho por agora espevitar "apetites musicais" em véspera de fim de semana . Do filme "There Will Blood" de Thomas Anderson ( "Magnolia" ), a banda sonora ficou a cargo de Jonny Greenwood, guitarrista dos Radiohead, o resultado é excelente. Tocam-me particularmente as texturas harmónicas e por vezes de cariz minimal que Greenwood escreveu para as cordas. É impossível ficar indiferente ao que aqui se ouve...
22 novembro, 2010
Round Midnight
Realizado por Bertrand Tavernier, Round Midnight é um filme que pertence à minha lista de favoritos.
Talvez por ser músico, deste género ainda por cima, mas acima de tudo, pelo filme em si.
A história, a incrivel interpretação de Dale Turner pelo músico Dexter Gordon, a música, sentimentos, as mensagens de vida, o ambiente...
Como curiosidade, além dos músicos do filme serem/terem sido músicos de jazz na realidade, também encontramos uma curta participação do realizador Martin Scorsese como actor.
Deixo um excerto de vídeo como exemplo de ambos. Martin Scorsese aparece logo no inicio, e a tocar encontramos Dexter Gordon - saxofone, Freddie Hubbard - fliscorne, Cedar Walton - piano, Ron Carter - contrabaixo e Tony Williams - bateria.
Recomenda-se!
Talvez por ser músico, deste género ainda por cima, mas acima de tudo, pelo filme em si.
A história, a incrivel interpretação de Dale Turner pelo músico Dexter Gordon, a música, sentimentos, as mensagens de vida, o ambiente...
Como curiosidade, além dos músicos do filme serem/terem sido músicos de jazz na realidade, também encontramos uma curta participação do realizador Martin Scorsese como actor.
Deixo um excerto de vídeo como exemplo de ambos. Martin Scorsese aparece logo no inicio, e a tocar encontramos Dexter Gordon - saxofone, Freddie Hubbard - fliscorne, Cedar Walton - piano, Ron Carter - contrabaixo e Tony Williams - bateria.
Recomenda-se!
18 novembro, 2010
Charlie Chaplin e o estranho time traveler (??)
"This short film is about a piece of footage I (George Clarke) found behind the scenes in Charlie Chaplins film 'The Circus'. Attending the premiere at Manns Chinese Theatre in Hollywood, CA - the scene shows a large woman dressed in black with a hat hiding most of her face, with what can only be described as a mobile phone device - talking as she walks alone.
I have studied this film for over a year now - showing it to over 100 people and at a film festival, yet no-one can give any explanation as to what she is doing.
My only theory - as well as many others - is simple... a time traveler on a mobile phone. See for yourself and feel free to leave a comment on your own explanation or thoughts about it."
George - 20th October 2010
Soa um pouco a "espalhafato" mas não deixa de ser um caso curioso... =)
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