14 outubro, 2010

Amar é a eterna inocência

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro



Se analisarmos intrinsecamente esta interpretação em forma de poema e a tentarmos inscrever no nosso dia-a-dia, facilmente concluímos que a simplicidade aqui transmitida é extrínseca ao modus vivendi a que estamos habituados.

Contactei com este poema, deveria ter uns 17 anos e retive-o como um exemplo para inscrição na minha vida. A dilaceração de cada palavra, de cada verso, acompanha a minha maturação e liberta-me de mim mesmo. Ter como filosofia a Natureza e saber visualiza-la de forma inocente e com amor pode ser um mote para o auto-conhecimento pessoal e social e isso torna-nos mais interventivos e dialogantes com os comprimentos de onda que nos envolvem. Dialogar é algo que nos aproxima uns aos outros e nos coloca em harmonia com a Natureza.

É neste sentido esta minha primeira intervenção, o diálogo, que nos leva ao auto-conhecimento. Pretendo deste modo expor a “tralha” que vou acumulando na estante, e que me vai tornando mais “eu”.

13 outubro, 2010

tão distante, tão actual...

Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal.


“O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!”

Eça de Queirós
"As Farpas"

10 outubro, 2010

08 outubro, 2010

Sintel

Boa noite. Este é o meu primeiro post neste blogue e começo por fazer referência ao novo projecto Fundação Blender, "Sintel".
É de louvar o que esta comunidade tem feito durante estes anos.
À semelhança de outros "open movies" como "Big Buck Bunny" e "Elephants Dream", "Sintel" é um filme que, quanto a mim, não fica nada atrás de muitas curtas de animação de companhias financeiramente mais fortes.
Bom filme, boa história, excelente qualidade, vejam!



                                                      download aqui: link

07 outubro, 2010

Prémio Nobel de Literatura 2010

Mario Vargas Llosa

Carta aberta de apoio ao deputado Ricardo Gonçalves

Não queria de forma alguma falar sobre política neste blog mas acho que vale a pena partilhar esta Carta aberta e o vídeo que também encontrei hoje, curiosamente.


A Carta aberta foi redigida pelo Bruno Miguel.
Partilho o texto na íntegra e com autorização do Bruno:

 

 Carta aberta de apoio ao deputado Ricardo Gonçalves

 

Depois de ler as notícias acerca das declarações do deputado Ricardo Gonçalves, decidi mostrar o meu apoio através de uma carta aberta.


Caro deputado Ricardo Gonçalves;
Depois de ter visto algumas notícias sobre declarações que prestou acerca da necessidade da cantina da AR servir jantares aos deputados, venho assim prestar-lhe o meu apoio. Entristeceu-me ver que os €3700 que recebe, mais os €60 diários de ajudas de custas, não são suficientes para se alimentar. Eu próprio já passei por isso quando estive a trabalhar em Lisboa; mas precisei de mais de 5 meses para receber, em bruto, o que você recebe líquido todos os meses a tempo e horas – privilégio que, por vezes, não tinha.
Com €600 e qualquer coisa por mês, a viver numa cidade que não era a minha, a pagar transportes, comida, quarto; com carregamentos de telemóvel e outras despesas, acredite que tem toda a minha solidariedade. Por isso, se precisar de uns trocos para comer, terei todo o gosto em dispensar-lhe €1. Dá-me um aperto no coração ver alguém que recebe €5020 mensais – partindo do pressuposto que as ajudas de custas são pagas apenas para 22 dias úteis – andar com o estômago vazio.
Despeço-me com uma lágrima no canto do olho, tal é a tristeza que sinto por si e pela sua situação de pobreza extrema. E até lhe digo mais, se não tiver dinheiro para pagar o bilhete para voltar de vez à província, terei todo o gosto em pagá-lo por si.




E agora, um vídeo exemplar, vindo de um país organizado também de forma exemplar:

05 outubro, 2010

5 de Outubro - Implantação da República

" ... A República Velha falhou mesmo como fenómeno destrutivo: destruiu mal e destruiu por maus processos.
Destruiu mal porque destruiu pouco. Destruir a Monarquia não é só tirar o Rei: é também, é sobretudo substituir os tipos de mentalidade governantes por outros tipos de mentalidade... "


Fernando Pessoa
"Sobre a República"

04 outubro, 2010

Tarkovsky e François Couturier


"Nostalghia - Song for Tarkovsky " um disco de François Couturier que nao deve passar despercebido para admiradores do legado de Tarkovsky. Música introspectiva à imagem e semelhança da obra do cineasta. 

01 outubro, 2010

Baraka: visualmente arrebatador




Este é, quanto a mim, um dos melhores documentários da história do cinema documental.
Aqui encontramos a natureza planetária no seu conjunto.
Um filme de Ron Fricke para deixar na estante.