07 julho, 2011

o David Lynch sabe...

mais rating, menos rating...

Faço das palavras de um amigo a minha resposta ao que penso sobre todo este tipo de assuntos. Não conseguiria escrever melhor. É longo, mas vale mesmo a pena. Aqui fica:

Penso, logo posso pensar diferente

O problema da criação de riqueza versus produtividade, da justiça, da corrupção, da violência, da educação, da iliteracia, das famílias desestruturadas e da redução das desigualdades económicas e sociais, não passa por mais dinheiro gasto, nem mais leis, mais tribunais, mais polícias, mais anos na escola, mais noções de economia para criancinhas, mais psicólogos e psiquiatras, mais prozac, mais despedimentos "na hora", mais privatizações, mais competição, menores remunerações ou por subsídios. Tudo isso são consequências de um sistema que assenta na violência sobre os animais, na ultra-exploração do planeta e na competição felina por riqueza, status e poder, onde tudo é válido, justificado pelo “santo mercado” sobre uma aparente capa de democracia, igualdade e liberdade. Males “combatidos” com rios de dinheiro que esvaíram o país e continuarão até ao colapso se não houver inversão atempada.
O “campo da Mãe de todas essas batalhas” é no interior de cada Homem, nenhum corruptor ou corrupto está sozinho, nenhum explorador é individualmente culpado de todos os males; nenhum formador é bom mestre se não tem em si o exemplo para oferecer, nenhuns pais sabem educar se não são coerentes; ninguém é bom patrão quando olha os seus empregados como instrumentos para o seu prazer, nem ninguém é bom trabalhador quando não ama o que faz e se sente explorado; nem nenhum cidadão minimamente esclarecido se sente motivado para dar o seu melhor num sistema que está amplamente viciado.
Esta é a sociedade dos espertos e oportunistas, que usuram, exploram e enganam com a mesma consciência com que saboreiam o bife, sem que a sua mente alguma vez se interrogue sobre a respectiva origem e o seu coração se atormente com a dor causada. O reverso dessa “moeda”, é a sociedade dos Homens que são meias-pessoas, que vivem em liberdade condicional aos fim de semana, que também inconscientemente saboreiam o bife sem se interrogarem, que trabalham no exército da produção em massa em tarefas que odeiam por remunerações apenas suficientes para os manter vivos, aliciados a consumir mais e mais, para mais escravizados ao sistema ficarem. Uns e outros, guardas prisionais ou prisioneiros na mesma “prisão”, libertam as suas ansiedades no consumo compulsivo, na mesa farta com abdómens dilatados, na tourada do pobre touro, na caça, na novela de emoções doentias, ou no futebol que os narcotiza.
E sempre, sempre pagando mais para um Estado que os formata, e endivida, com um rio de milhões de euros, para que os seus filhos nada mais sejam que um título académico que já para nada serve, para um sistema de saúde que engole riqueza à tonelada, para curar doenças causadas pelo sistema mórbido de alimentação humana e duma estruturação económica e social podre.
Não, este não é mais um combate político, é um combate pela Vida, pela dignidade, pela libertação daqueles que já nem imaginação têm para conceber uma organização social diferente, verdadeiramente Humana, fraterna, compassiva e ética. Onde a realização do ser humano esteja no centro, onde produzir seja parte da Vida e não o objectivo último da Vida.
Libertemos opressores e oprimidos, todos eles são vítimas, fazem parte do mesmo jogo!
Respeitemos todas as formas de Vida senciente e muitas mudanças ocorrerão nas relações humanas e na respectiva estrutura social e económica. A mão que se abate sobre a presa, o garfo que vota que se mate, a farpa que se espeta e aplaude no touro, o dedo que puxa o gatilho e mata, pertence a alguém e diz muito sobre esse alguém, e afecta inexoravelmente essa pessoa e todos os que com ela convivem, na escala familiar, social e civilizacional. Somos os nossos actos, os nossos actos somos nós.
Respeitar os animais é respeitarmo-nos a nós próprios!
Ser meio-compassivo, é ser violento. Atrás da “pequena” violência esconde-se a grande violência, seja ela física, psicológica, emocional, económica, legal, fiscal, laboral, social ou ambiental.

Este é o Bom combate!
António Caldeira

06 julho, 2011

momento Tarkovsky

" Não consigo entender de modo algum o problema da 'liberdade' ou 'falta de liberdade' de um artista. Ele nunca é livre. A nenhum grupo de pessoas falta mais liberdade. O artista está preso ao seu dom, à sua vocação. Por outro lado, ele é livre para escolher entre expressar seu talento da maneira mais plena que puder, ou vender a sua alma por trinta moedas de prata. A frenética busca de Tolstoi, Dostoievski e Gogol não foi estimulada pela consciência que tinham de sua vocação e do papel que lhes estava destinado? Também estou convencido de que nenhum artista trabalharia para cumprir a sua missão espiritual se soubesse que sua obra jamais seria vista por alguém. Ao mesmo tempo, porém, sempre que estiver trabalhando, ele deve colocar um véu entre ele e as outras pessoas, para se proteger contra a abordagem de temas genéricos, vazios e triviais. Pois a concretização das possibilidades criativas de um artista só pode ser obtida através da honestidade e sinceridade totais, aliadas à consciência da sua própria responsabilidade para com os outros."
Andrei Tarkovsky

04 julho, 2011

A Grande Inteligência é Sobreviver

A grande Inteligência é sobreviver.
As tartarugas portanto não são teimosas nem lentas, dominam;
SIM, a ciência.
Toda a tecnologia é quase inútil e estúpida,
porque a artesanal tartaruga,
a espontânea TARTARUGA,
permanece sobre a terra mais anos que o homem.
Portanto,
como a grande inteligência é sobreviver,
a tartaruga é Filósofa e Laboratório,
e o Homem que já foi Rei da criação
não passa, afinal, de um crustáceo FALSO,
um lavagante pedante;
um animal de cabeça dura. Ponto.

Gonçalo M. Tavares, in "Investigações. Novalis"

02 julho, 2011

A Dangerous Method

Enrique Barrios

acabei há pouco um dos primeiros livros deste senhor, escritor que leio pela primeira vez.
 "Ami, e o menino das Estrelas" de Enrique Barrios.
 Que livro!!!

A introdução prepara-nos bem para o seu conteúdo. Partilho (tradução em português do brasil) :

"É difícil aos dez anos de idade escrever um livro. Nesta idade ninguém entende muito de literatura... nem se interessa demais; mas eu vou ter que fazer isso, porque Ami disse que se eu o quisesse ver novamente deveria relatar em um livro o que eu vivi a seu lado.
Ele me advertiu que entre os adultos, muito poucos me entenderiam, porque para eles era mais fácil acreditar no terrível do que no maravilhoso.
Para evitar problemas ele me recomendou que dissesse que tudo era fantasia, uma história para crianças.
Eu vou obedecer-lhe ISTO É UMA HISTÓRIA.

Advertência
(destinada somente para adultos)
Não continue lendo, você não vai gostar, daqui em diante é maravilhoso
Destinado às crianças de qualquer nação desta redonda e bela pátria, esses futuros herdeiros e construtores de uma nova Terra sem divisões entre irmãos."
(...)

Podem ler aqui: link

Glastonbury festival 2011


Tudo sobre o festival aqui

01 julho, 2011

biblioteca digital brasileira

Com a autorização devida, deixo uma cópia de um post do blogue
Casa Agostinho da Silva:


A REDE GLOBO NÃO DIVULGA NUNCA ! ! !
Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:

· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia;
· ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· e muito mais....
Esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso,basta acessar o site:

www.dominiopublico.gov.br/


Só de literatura portuguesa são 732 obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes, conhecidos e alunos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
Divulgue para o máximo de pessoas!
principalmente aos nossos professores e alunos.


Post original aqui: link