«No final de Novembro de 1974, um amigo ligou-me de Paris a dizer-me que Lotte Eisner estava gravemente doente e que provavelmente morreria. Eu disse que não podia ser, não agora, o cinema alemão ainda não a podia dispensar, não podíamos permitir que ela morresse. Peguei num casaco, numa bússola e num saco de desporto contendo o estritamente necessário. As minhas botas eram novas e robustas, confiava nelas. Segui pelo caminho mais directo até Paris, com a firme convicção de que ela viveria se eu fosse ter com ela a pé. Queria, além disso, estar a sós comigo mesmo."
E assim começa Caminhar no Gelo de Werner Herzog. Este livro não é mais do que o diário da viagem que o cineasta fez ao longo de três semanas de Munique até Paris ( 1000km ) na convicção de que ao chegar aí, a sua amiga Lotte Eisner, a grande historiadora do cinema alemão, se encontraria ainda viva. Herzog descreve tudo quanto vê e através das suas palavras conseguimos deduzir o calvário que foi fazer essa viagem a pé e em pleno inverno! Eisner viveria ainda mais dez anos e nas últimas linhas do livro, entendemos porque Herzog chegou a afirmar gostar mais de Caminhar no gelo que todos os seus filmes...


