13 novembro, 2012

Os intocáveis

bem-haja dona Helena...

Os intocáveis

"Como já devem ter percebido os que me lêem com alguma regularidade, os meandros da política são-me totalmente alheios. Felizmente, porque o meu estômago é um órgão sensível e eu não pretendo dar cabo dele. 
A política só me interessa na sua parte mais nobre que é aquela de que os filósofos falam. Dos práticos, dos seus operadores, por norma agremiados nessa coisa que se chama de "partidos", nem o ar que respiram me diz alguma coisa. Possivelmente fiquei vacinada por ter na minha segunda família vários desses elementos. Comecei no sogro, continuei no marido e nos cunhados e finalizei nos filhos. Cumpro portanto um karma, já que ninguém na minha família de sangue se dedicou a esta espécie de diatribe profissional. E devo, pela intensidade da pena, estar a espiar pecados ancestrais de que desconheço as origens.
Mas, não sendo nem cega, nem surda e muito menos lerda, verifico que neste democratismo europeu, existe sempre uma classe que se multiplica de modo estranho, seja qual for o regime implantado, desde que assente na chamada democracia partidária.
Quem são eles? Os intocáveis. Aqueles que, de facto, na sombra, mandam em nós. Qualquer que seja o governo, eles lá estão com o seu salvo conduto garantido. Basta-lhes um telefonema, um almoço ou um jantar e tudo o que esperam se realiza.
Que força tem esta gente, que mesmo tendo-se feito uma revolução, persegue o seu caminho sem grandes incómodos? Não são os boys nem as girls. Estes  são meros peões que só contam para o folclore. Aqueles de que falo estão mais acima e, na maior parte dos casos nem mudam com as mudanças de governo..."


Helena Sacadura Cabral
retirado do seu blogue: fio de prumo

já Einstein dizia...

(...)
Ora, a tarefa principal do Estado consiste nisto: proteger o indivíduo, oferecer-lhe a possibilidade de se realizar como pessoa humana criativa.
O Estado deve ser nosso servidor e não temos obrigação de ser seus escravos.
(...)

Albert Einstein
Como vejo o mundo

12 novembro, 2012

Vocalise


Vocalise de Sergei Rachmaninov

10 novembro, 2012

"Espera"

Espera


Enquanto dormes,
No umbral dos teus sonhos,
Espero e contemplo silenciosamente o teu rosto
Quando a primeira estrela da manhã aparece na tua janela.
Assim, à beira-mar,
O asceta em plena meditação
Olha para o Este...
As suas horas de vigília são passadas em insónia e êxtase,
Enquanto espera a sua imersão
Na primeira luz da manhã.

Com os meus olhos
Beberei o primeiro sorriso
Que floresce nos teus lábios entreabertos
Como uma flor recém-nascida...
Esse é o meu desejo.

Rabindranath Tagore

"Directed By Andrei Tarkovsky" (documentário)



realizado por Michal Leszczylowski, 1988

09 novembro, 2012

lógica da batata

quando certas coisas não fazem muito sentido...

Deutsche Bank reserva hotel de luxo em Berlim para decidir austeridade


"O Rei vai nu, mas grande parte da população ainda vislumbra magníficas sedas"

apagar rastos na internet

Artigo aqui:

08 novembro, 2012

Alfarrabistas por Lisboa


Alfarrabistas, roteiro do conhecimento

Conheço quase todos e sou cliente habitual em 2 deles...
não me comprem os livros todos!

07 novembro, 2012

Na vida!

Na vida! Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma cor nova e não fala com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o escuro ao invés do claro e os pingos nos is a um redemoinho de emoções, exactamente a que resgata o brilho nos olhos, o sorriso nos lábios e coração ao tropeços. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho. Morre lentamente quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, ouvir conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, não lê, quem não ouve música,quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte, Ou da chuva incessante. Morre lentamente quem destrói seu amor próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, nunca pergunta sobre um assunto que desconhece e nem responde quando lhe perguntam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em suaves porções, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples ar que respiramos.Somente com infinita paciência conseguiremos a verdadeira felicidade.

Pablo Neruda